PIOR QUE QUALQUER TRAGÉDIA
“Tornamo-nos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que nos rodeiam. Por que diriam as nações: onde está o seu Deus? (Sl 79.4,10)
Segundo projeção do IBGE, a partir do crescimento dos evangélicos nos últimos anos, a previsão é de que seremos cinqüenta milhões de evangélicos no final de 2009. Já imaginaram o que isso poderia significar diante do nosso Brasil de hoje? Com certeza se esses milhões fossem, verdadeiramente cristãos, nascidos de novo, transformados e selados pelo Espírito Santo de Deus como Sua propriedade, certamente veríamos algumas mudanças; especialmente diante de um colapso moral e espiritual como agora, em meio a tanta violência (não apenas as do tráfico de drogas, trânsito, urbana; mas, também e, acima de tudo, a doméstica), corrupção e desmandos com a coisa pública, a nível dos três poderes da república e em todos os seguimentos da sociedade civil em geral.
A nação está estarrecida com a situação do seu Congresso Nacional, tanto o Senado como a Câmara de Deputados tem sido alvo na Mídia de uma sequência de escândalos nunca visto, e num nível inimaginário do que nossos legítimos representantes seriam capazes de fazer – não somente com o dinheiro público que, nesse caso, se transforma num bem menor; mas, sobretudo, com a dignidade da nação, do mandato que lhes foi conferido -. Com relação à falta de vergonha na cara e senso de justiça com que lidam com a coisa pública, não há mais nem “baixo” e nem “alto”clero; pois até mesmo aqueles que sempre se apresentaram como paladinos da moral política, de uma conduta mais ética quanto a estes comportamentos reprováveis, tem sido apanhados nos mesmos desvios. O pior é que muitos deles são velhos políticos, que já passaram por inúmeras eleições e, mesmo a despeito da mesma fama, sempre foram reeleitos.
É aqui que quero voltar ao tema inicial. O fato de sermos quarenta ou cinqüenta milhões de evangélicos não tem influenciado em nada uma mudança substancial nestas coisas; muito pelo contrário, apesar de termos diversos representantes políticos evangélicos; a ponto de termos a chamada “bancada evangélica”, não temos visto esses “sal da terra e luz do mundo” exercendo seu papel bíblico – nem mesmo vindo a público condenar tais práticas. Para nossa infelicidade, às vezes, o que acontece é exatamente o contrário – alguns deles são apanhados com a mesma conduta; e, aí, então, acontece o que Jesus profetizou: “o sal para nada mais presta a não ser para ser pisado pelos homens”. É aí, então, que a tragédia fica maior; pois, pior que isso é a zombaria do inimigo a nos interpelar: onde está o vosso Deus?
Mas o que acontece é que esses milhões são pseudo-evangélicos, já fruto dessa nova teologia que transformou o evangelho de Cristo numa quantidade enorme de produtos e subprodutos, todos a serviço do homem, mudando totalmente o ensino do apóstolo Paulo de que “grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento, porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele; mas tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (I Tm 6.6-8). Segundo este “novo evangelho”, poderíamos parafrasear estes versículos assim: realmente, através da “piedade” você pode conseguir grande fonte de lucro, mesmo sem um verdadeiro contentamento; pois, se viemos para este mundo sem nada, Deus quer que você saia dele muito rico, mesmo que não possa levar nada; afinal, que Deus é esse e, que fé é essa que lhe asseguram apenas o suficiente para comer e vestir? Ninguém pode estar feliz assim!
Pr. Genevaldo Edino de Souza Bertune



