“Até quando, Senhor, os perversos; até quando, Senhor, os ímpios exultarão? (Sl 94.3)
Parece que não tem fim a seqüência de escândalos provenientes do nosso Congresso Nacional; e, nos últimos tempos, especialmente do nosso Senado Federal; exatamente de onde se espera o exemplo maior de ética, justiça, práticas compatíveis com a moral, honradez e honestidade, dado o status, significado e propósito do mesmo dentro da nossa estrutura política, governamental e distribuição dos poderes. Meu medo é que toda a nação mergulhe num sono profundo de indiferença, conformismo e passividade diante de tanto descalabro, como se nada mais pudesse ser feito ou, como se, simplesmente, não houvesse mais esperança – especialmente entre o povo de Deus.
O salmo que contém este versículo acima traz como título: apelo à justiça de Deus contra os malfeitores, e continua “Proferem impiedades e falam cousas duras, vangloriam-se os que praticam a iniqüidade. Esmagam o teu povo, Senhor, e oprimem a tua herança. Matam a viúva e o estrangeiro, e aos órfãos assassinam. E dizem: O Senhor não o vê; nada disso faz caso o Deus de Jacó” (vs 4 a 7). No entanto, em continuação, o mesmo salmo diz: “Atendei, ó estúpidos dentre o povo; e vós insensatos, quando sereis prudentes? O que fez o ouvido, acaso não ouvirá? E o que formou os olhos, será que não enxerga? Porventura quem repreende as nações não há de punir?” (vs 8, 9 e 10a).
Durante algum tempo desenvolveu-se entre os evangélicos uma cultura de que, orar pelas autoridades constituídas significava apoiá-las; e, a partir daí, fomos para um outro extremo – já que nossas autoridades são tão más, dão péssimos exemplos, são corruptas, são tantos os escândalos -; então, passamos a não orar por elas “não vamos apoiá-las!”. Acontece que a mensagem bíblica, profética, sempre que aqueles “constituídos por Deus para o bem” (Rm 13.4) se desviam do propósito divino, é uma mensagem de condenação, exortação para que voltem ao centro da Sua vontade. Assim é o salmo presente; assim foi a mensagem de Deus a Davi através do profeta Nata; de todos os demais profetas – maiores e menores – aos respectivos reis de Israel em suas injustiças, imoralidade, paganismo e idolatria.
Povo de Deus, fundamentados neste mesmo salmo, devemos exercer nosso ministério sacerdotal de intercessão pelas nossas autoridades constituídas. Ele é o “Juiz da terra”. É Ele “quem dá o pago aos soberbos”. É Ele quem fez o ouvido. É Ele quem fez os olhos; e, por isso, é Ele quem ouvirá nossas orações, pois enxerga toda a maldade praticada em nosso país. (vs 2 e 9). Vamos orar por esta nação, pelas nossas autoridades – neste momento, especialmente pelo Senado Federal -. O versículo 12 diz: “Bem-aventurado o homem, Senhor, a quem tu repreendes, a quem tu ensinas a tua Lei”. Eles serão abençoados com a repreensão do Senhor! Vamos fazer do versículo 16 nossa divisa; “Quem se levantará a meu favor contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniqüidade?” Se não fizermos isso: até quando?
Pr.Genevaldo Edino de Souza Bertune
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“Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham os escândalos, mas ai do homem pelo qual vem os escândalos” (MT 18.7)
No momento em que estamos todos estarrecidos com os escândalos provenientes da vida política do país, especificamente com o Senado Federal e seus senadores – parece que nunca há um limite para nos surpreenderem com seus comportamentos antiéticos, antipatrióticos, contrário a tudo o que se espera no exercício de suas funções, legitimamente dado por Deus através do voto do povo -; somos, também, infelizmente, surpreendidos com escândalos provenientes daqueles que deveriam ser “sal da terra e luz do mundo” como mandou Jesus em Mateus 5.13-14; daqueles que deveriam “se tornar irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual – deveriam – resplandecer como luzeiros (astros) no mundo” como, também, recomendou o apóstolo Paulo em Filipenses 2.15.
No texto acima Jesus declara que os escândalos viriam de qualquer jeito. No entanto, também, Ele não exime de culpa, de condenação aqueles através dos quais os escândalos viriam. Sua ameaça chega a ser tão forte, tão contundente, que no versículo anterior Ele afirma: “....melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar”(v.6).
Ao ver as cenas de pessoas sendo enganadas por líderes inescrupulosos, mal intencionados, e atendendo aos seus apelos heréticos, avarentos, perguntamos: o por que pessoas assim alcançam seus objetivos quando a Palavra de Deus está aí tão clara e disponível a todos? Pouquíssimos são aqueles que sabem e querem ler a Bíblia. Para uma grande maioria dos evangélicos – tal como uma grande parcela dos eleitores elegem seus políticos, visando apenas interesses imediatos -, como disse Maldonado Ernani, citado por Hildomar Oliveira em seu livro “Paradigmas”, “é muito mais fácil receber tudo pronto, como se fosse uma fórmula mágica, do que trabalhar, artesanalmente, para descobrir a verdade por si próprio”.
Pr. Genevaldo Edino de Souza Bertune,
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“Tornamo-nos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que nos rodeiam. Por que diriam as nações: onde está o seu Deus? (Sl 79.4,10)
Segundo projeção do IBGE, a partir do crescimento dos evangélicos nos últimos anos, a previsão é de que seremos cinqüenta milhões de evangélicos no final de 2009. Já imaginaram o que isso poderia significar diante do nosso Brasil de hoje? Com certeza se esses milhões fossem, verdadeiramente cristãos, nascidos de novo, transformados e selados pelo Espírito Santo de Deus como Sua propriedade, certamente veríamos algumas mudanças; especialmente diante de um colapso moral e espiritual como agora, em meio a tanta violência (não apenas as do tráfico de drogas, trânsito, urbana; mas, também e, acima de tudo, a doméstica), corrupção e desmandos com a coisa pública, a nível dos três poderes da república e em todos os seguimentos da sociedade civil em geral.
A nação está estarrecida com a situação do seu Congresso Nacional, tanto o Senado como a Câmara de Deputados tem sido alvo na Mídia de uma sequência de escândalos nunca visto, e num nível inimaginário do que nossos legítimos representantes seriam capazes de fazer – não somente com o dinheiro público que, nesse caso, se transforma num bem menor; mas, sobretudo, com a dignidade da nação, do mandato que lhes foi conferido -. Com relação à falta de vergonha na cara e senso de justiça com que lidam com a coisa pública, não há mais nem “baixo” e nem “alto”clero; pois até mesmo aqueles que sempre se apresentaram como paladinos da moral política, de uma conduta mais ética quanto a estes comportamentos reprováveis, tem sido apanhados nos mesmos desvios. O pior é que muitos deles são velhos políticos, que já passaram por inúmeras eleições e, mesmo a despeito da mesma fama, sempre foram reeleitos.
É aqui que quero voltar ao tema inicial. O fato de sermos quarenta ou cinqüenta milhões de evangélicos não tem influenciado em nada uma mudança substancial nestas coisas; muito pelo contrário, apesar de termos diversos representantes políticos evangélicos; a ponto de termos a chamada “bancada evangélica”, não temos visto esses “sal da terra e luz do mundo” exercendo seu papel bíblico – nem mesmo vindo a público condenar tais práticas. Para nossa infelicidade, às vezes, o que acontece é exatamente o contrário – alguns deles são apanhados com a mesma conduta; e, aí, então, acontece o que Jesus profetizou: “o sal para nada mais presta a não ser para ser pisado pelos homens”. É aí, então, que a tragédia fica maior; pois, pior que isso é a zombaria do inimigo a nos interpelar: onde está o vosso Deus?
Mas o que acontece é que esses milhões são pseudo-evangélicos, já fruto dessa nova teologia que transformou o evangelho de Cristo numa quantidade enorme de produtos e subprodutos, todos a serviço do homem, mudando totalmente o ensino do apóstolo Paulo de que “grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento, porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele; mas tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (I Tm 6.6-8). Segundo este “novo evangelho”, poderíamos parafrasear estes versículos assim: realmente, através da “piedade” você pode conseguir grande fonte de lucro, mesmo sem um verdadeiro contentamento; pois, se viemos para este mundo sem nada, Deus quer que você saia dele muito rico, mesmo que não possa levar nada; afinal, que Deus é esse e, que fé é essa que lhe asseguram apenas o suficiente para comer e vestir? Ninguém pode estar feliz assim!
Pr. Genevaldo Edino de Souza Bertune
“Visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem.” “Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus atendendo constantemente a este serviço” (Rm 13.4a, 6 )
No meu último artigo, diante dos sucessivos escândalos no Poder Legislativo Federal da nação, de um modo mais específico, ultimamente no Senado, mostrei a necessidade bíblica de orarmos pelas nossas autoridades, enfatizando que, além dessa ser a vontade de Deus, ela se apresenta como a solução cristã para a Sua intervenção; e, então, termos as mudanças que tanto queremos. Nele, trabalhei com o salmo 94. No entanto, o salmo 135 falando das obras de Deus operadas no Egito diante de Faraó, acrescenta: “Foi Ele quem feriu muitas nações e tirou a vida a poderosos reis” (v.10). A história bíblica e secular está recheada de exemplos como Deus usou reis, autoridades para fazer Sua vontade: Ciro, Assuero, tirou a rainha Vasti do trono para colocar Ester, Nabucodonosor, autoridades romanas para proteger o apóstolo Paulo, o próprio governo brasileiro para dar o voto decisivo na criação do Estado moderno de Israel, etc. Vamos orar, sim. É o método bíblico e eficaz de intervirmos e mudar a história atual tão triste do nosso país.
Hoje, quero abordar o aspecto mais relacionado à nossa cidadania. Afinal, como cristãos, pagamos impostos e somos cidadãos. Apesar de Paulo afirmar que nossa verdadeira pátria está no céu, ele também afirma que devemos pagar nossos impostos, cooperar com o governo, prestar-lhe honra e respeito; ficando implícito que, quem recebe honra é digno de honra; e, da mesma forma, respeito quem é digno de respeito
De Moisés a Samuel o líder religioso: profeta, juíz ou sumo sacerdote, acumulava as funções civis; mas, com o advento da monarquia em Israel, o rei passou a ter estas atribuições; não significando, contudo, que Deus ou seus servos abririam mão de cobrar deles uma postura correta, de acordo com a vontade divina para suas funções estabelecidas pelo próprio Deus: promover a justiça, o bem comum, a segurança da nação, ser exemplo no relacionamento com Deus, etc. Assim é que Samuel irá advertir Saul em suas loucuras e ser o instrumento de Deus para promover a mudança necessária. Da mesma forma Natã será a voz de Deus a Davi diante do seu pecado. Os profetas do Antigo Testamento aos reis de Israel e Judá, bem como a diversos reis de seu tempo. Daniel aos reis da Babilônia. Hoje, além de cidadãos, com deveres, mas, também, com direitos, somos todos sacerdotes e profetas, tendo o dever de zelar para que a vontade de Deus para com o governo civil se cumpra na vida da nação, apontando os erros cometidos, as injustiças sociais, os descalabros na administração pública. Creio que os milhões de cristãos deveriam ser os primeiros, depois de terem orado incessantemente por eles, entrarem no site do Congresso Nacional, do Senado, da Câmara de Deputados, no de cada deputado; depois de conseguirem seus e-mails pessoais, mandarem mensagens de protestos, reprovação, exortação bíblica, encorajamento a fazerem o que é reto diante de Deus, praticarem a justiça, promoverem o bem comum, etc. Não podemos esquecer que nossa maior arma é um testemunho de sal da terra e luz do mundo. Sem ela nada disso funciona. A última arma legítima do cristão é o voto. Cada um devia ser um agente transformador desta situação através do seu voto, não permitindo que nenhum outro elemento, senão uma consciência submissa à vontade de Deus e esclarecida pelos fatos determinasse seu voto. Muitos desses políticos “com ficha suja” são reeleitos – como vem acontecendo - porque o homem sem Deus vota em função de interesses partidários, corporativistas, financeiros, regionais, etc.
O Brasil tem jeito, tem solução, mas que passam, obrigatoriamente, pela intervenção divina e nossa participação.
Pr.Genevaldo Edino de Souza Bertune
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